sábado, 22 de outubro de 2011

A cria

Um jorro, dor
Suor, força,
Tempo
O seu choro, o meu choro
O seu cheiro, o melhor cheiro
Falha a respiração, separação
Reencontro
Tudo pára
Fica distante, mudo, câmera lenta
Você, só você
Me suga, me inunda
Uma sensação:
Nem Freud, nem Jung
Só Darwin explica
A única vontade é lamber-lhe como uma leoa
Você que resgatou os meus instintos mais primitivos
E justificou a minha existência
Você que me recriou
Minha cria

Sua mãe
Escrito em 16/09/2008mas pensado em 11-13/09/2008 na nossa primeira noite em casa

Mensagem aos Noivos

Antes de nos casarmos deveríamos fazer um curso de jardinagem. Pois só os jardineiros sabem que para colher rosas é preciso regar, cuidar, lhes proteger das intempéries. E eles fazem isso rotineira e cotidianamente, geralmente cantarolando, pois percebem a real beleza do seu trabalho, que não é colher a rosa, mas sim lhe cultivar. E as flores se revelam excelentes companhias. Há os que dizem que o seu ofício é a melhor das terapias. Eles conversam com as flores, dividem suas angústias e seus problemas e elas pacientemente os escutam, e com a sua leveza os ajudam a suportar o peso da vida. Mas eles não se iludem, sabem que as rosas são belas e perfumadas, mas tem espinhos. São feitas do bem e do mal, como todas as criaturas da natureza. E mesmo assim eles as contemplam, as veneram e sobretudo as amam, certos da magia e encanto que só uma rosa pode lhes prover.

É isso, cultive a sua rosa.